No Limite: Depressão, Ansiedade e Suicídio nas universidades


Os estudantes das universidades públicas apresentam uma taxa de suicídio, transtornos depressivos e ansiedade acima da média da população geral. Estudos apontam para uma prevalência até três vezes maior para a mesma faixa etária.


Um possível fator de influencia diz respeito à elevada pressão a que o próprio docente é submetido, com exigência de publicações, sobrecarga de trabalho e funções admistrativas.


Alguns docentes, por amor e opção, conseguem transitar, às duras penas, entre as exigências da academia e o prazer da docência, preservando o propósito da função e a relação de ensino-aprendizagem com o aluno.

Outra variável a ser considerada é o fato de que no Brasil na carreira de "pesquisador" está implícita a função de "professor", como se as habilidades e motivações para me tornar cientista fossem suficientes para me tornar professora.


Neste sentido, o pesquisador "aceita" ser professor, e o aluno um "colaborador" para atender as demandas do meio científico e da academia, com o "inconveniente" de desejar aprender.


O significado que o aluno da universidade pública atribui a esse acesso e as expectativas deste ciclo contrastam muitas vezes com uma dura realidade:


- pressão por metas

- processo de trabalho inadequado,

- a falta de reconhecimento

- a gestão inadequada de problemas

- apoio insuficiente

- baixa liberdade de decisão

Esses elementos vivenciados ciclicamente podem resultar em grande frustração e adoecimento, causando a Síndrome de Burnout.


A síndrome de Burnout é uma doença ocupacional que afeta indivíduos com alto nível de exigência psicológica, perfeccionistas e que "vestem a camisa", o perfil dos estudantes de universidades públicas.


É caracterizada por esgotamento intenso, distanciamento mental da tarefa, baixo rendimento e frustração. E pode evoluir para um transtorno depressivo e ansioso.


Bons alunos chegam ao consultório adoecidos

e convencidos de sua incompetencia para viver. E revelam como tiveram que escolher entre o tratamento médico, para não desistir da faculdade ou da vida.


Historicamente, o conhecimento e a educação combateram o abuso e a escravidão. São os educadores e cientistas que validam as necessidades humanas universais como a ética, a saúde, o respeito e a empatia, combatendo o preconceito e a ignorancia.


Em que momento os mesmos recursos que promoviam a liberdade passaram a nos aprisionar?


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